A Natura considera que 2025 foi um ano marcante para a empresa, com a finalização do ciclo de simplificação societária iniciado em 2022. Em teleconferência realizada nesta segunda-feira (17), o presidente do grupo, João Paulo Ferreira, afirmou que a companhia concluiu a venda de ativos internacionais e simplificou a estrutura da holding, o que permitiu o retorno à sua sigla original na bolsa, a NATU3.
O executivo destacou que os resultados do último trimestre de 2025, divulgados na segunda-feira (16), refletem um retorno às origens, com prioridade e foco nas operações e oportunidades na América Latina. Ferreira apontou que, no quarto trimestre, a marca Natura no Brasil registrou uma leve queda na receita. Segundo ele, isso ocorreu por causa da menor quantidade e atividade das consultoras consideradas menos produtivas.
Ele comentou ainda que, apesar de a marca ter mantido a liderança, houve uma ligeira perda de participação de mercado no ano de 2025. Esse resultado foi impactado também pelo que ele chamou de ambiente de consumo desfavorável na região Nordeste. Medidas como o reajuste de incentivos para a força de vendas e o fortalecimento da grade de lançamentos já foram implementadas para buscar a retomada do crescimento.
Sobre as operações na divisão Hispana, o presidente disse que o México já apresenta sinais positivos de recuperação. Na Argentina, no entanto, a estabilização será mais demorada devido às condições macroeconômicas do país. Para o ano de 2025, a empresa informou que expandiu a margem do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) na América Latina.
Além disso, os custos de transformação foram reduzidos em mais de 10% na comparação com o ano anterior. Ferreira afirmou que o lucro líquido das operações continuadas, de quase R$ 1 bilhão no acumulado do ano, demonstra a capacidade da companhia de ser rentável ao voltar a focar no coração do seu negócio.
A métrica de operações continuadas do grupo se refere apenas às atividades na América Latina, isoladas das operações descontinuadas, que tiveram ativos vendidos nos últimos anos. Sem esse ajuste contábil, a Natura Cosméticos teria registrado um prejuízo de R$ 2,2 bilhões no acumulado de 2025. Esse valor representa uma queda de 75,3% quando comparado ao prejuízo de 2024.
A companhia segue monitorando o cenário econômico dos países onde atua e ajustando sua estratégia comercial. O foco no mercado latino-americano segue como diretriz central para os próximos períodos, conforme os planos apresentados pela liderança da empresa.
