02/06/2026
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Campanha “Amor Leve” alerta para relacionamentos abusivos

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) lançou nesta segunda-feira (1º), em Campo Grande, a quarta edição da campanha “Você Merece um Amor Leve”. A ação marca o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. O objetivo é ampliar a conscientização sobre violência doméstica, divulgar a rede de proteção e incentivar mulheres a buscarem ajuda antes que a agressão chegue ao estágio mais grave.

A idealizadora da campanha, promotora de Justiça Lívia Carla Guadamhaim Bariani, afirmou que ainda falta informação sobre os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência. “A gente acredita que todo mundo sabe onde ir e o que procurar, mas não sabe. Se você perguntar para dez pessoas na rua o que fazer caso uma irmã ou amiga diga que sofre violência doméstica, muitas não saberão responder”, disse.

Segundo a promotora, a campanha reforça orientações básicas que continuam desconhecidas. Ela citou a Casa da Mulher Brasileira, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança como portas de entrada para quem busca apoio.

Lívia destacou que muitas mulheres deixam de procurar ajuda por acreditarem que uma denúncia resultará em processo criminal contra o agressor. Ela explicou que a medida protetiva pode ser solicitada para interromper o ciclo de violência. “A medida protetiva salva vidas. Mais de 90% das mulheres que sofreram feminicídio ou tentativa de feminicídio desde 2015 sequer tinham pedido ajuda ou solicitado proteção judicial”, afirmou.

A promotora ressaltou que o feminicídio é precedido por comportamentos abusivos, como humilhações, xingamentos, destruição de objetos pessoais, controle da rotina e afastamento de amigos e familiares. “O feminicídio é o último degrau da violência. A mulher precisa se perguntar se realmente vive um amor leve ou se está em um relacionamento tóxico que pode evoluir para algo mais grave”, declarou.

A subsecretária estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Carla Stephanini, afirmou que o enfrentamento à violência exige respostas rápidas da Justiça. “Nós queremos trabalhar na prevenção e na proteção, mas também precisamos trabalhar na responsabilização. A sociedade precisa enxergar que existe resposta para esses crimes”, disse. Ela lembrou o julgamento recente de um caso de feminicídio em Anastácio, concluído em 83 dias.

Manuela Nicodemos Bailosa, subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria de Estado da Cidadania, afirmou que a campanha aposta em discutir relacionamentos saudáveis. “Quando falamos de amor leve, discutimos a raiz do problema, que é o controle exercido sobre a vida das mulheres”, afirmou. Ela defendeu que o debate avance para escolas e comunidades.

Ao longo de junho, promotores de Justiça de diferentes cidades vão intensificar palestras, entrevistas e atividades educativas. A expectativa é ampliar o conhecimento sobre canais de denúncia, medidas protetivas e formas de identificar os primeiros sinais de violência. “A vida já é sufocante demais para que alguém viva um relacionamento marcado por medo, controle e agressões. Todos merecem um amor leve”, concluiu Lívia.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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