12/05/2026
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Falta de material: paciente denuncia curativo improvisado em Campo Grande

Um paciente acamado de 43 anos, identificado como Antônio Carlos da Silva Filho, denunciou a falta de insumos básicos para a realização de curativos na Unidade de Saúde da Família (USF) Aero Itália, em Campo Grande. Desde dezembro, itens como esparadrapos, luvas e máscaras aparecem como “em falta” na lista de materiais destinados ao seu atendimento.

Antônio contou ao Campo Grande News que se tornou cadeirante após ser vítima de um assalto há 18 anos. Ele mora com a mãe, de 85 anos, que não tem condições de ajudá-lo nos cuidados. Por isso, precisa ir diariamente à unidade para fazer o curativo de um ferimento aberto, decorrente da agressão.

“Todos os dias eu faço curativos lá porque minha mãe não tem condições de fazer em mim. Está faltando material, falta gaze e outros itens. Eu comprei algumas vezes, mas agora não tenho condições”, relatou.

Segundo ele, nesta manhã foram usados retalhos de esparadrapo para improvisar o atendimento. Para o dia seguinte, no entanto, já não há insumos suficientes para garantir o procedimento. O paciente guarda listas de dezembro do ano passado e dos meses de fevereiro, março e abril deste ano que apontam a falta recorrente de materiais.

Entre os itens em falta estão seringa, máscara descartável, luva estéril, curativos, compressas e coletor. Dos 13 produtos que deveriam estar disponíveis, a unidade conta com apenas seis.

“Amanhã eu não tenho condições de fazer o meu curativo e o posto que me atende também não tem material. Está faltando esparadrapo, está faltando um monte de coisa. Eu não quero morrer, preciso fazer esse procedimento todos os dias. O meu curativo é enorme, é do tamanho de dois palmos”, afirmou.

Investigação do Ministério Público

Nesta segunda-feira (11), o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou a abertura de inquérito civil para apurar possíveis falhas no fornecimento desses materiais. A 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande iniciou a apuração após identificar indícios de fornecimento irregular. A investigação teve origem em uma demanda envolvendo uma idosa acamada, portadora de úlcera venosa crônica.

“Embora o caso tenha origem em uma situação individual, os elementos reunidos indicaram possível repercussão coletiva, uma vez que a deficiência no abastecimento pode alcançar outros usuários cadastrados no Programa de Dispensação de Insumos Médico-Hospitalares para Uso em Domicílio (PDIMH), instituído pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau)”, informou a nota do MPMS.

Com a abertura do inquérito civil, o Ministério Público irá aprofundar a análise das providências adotadas pelo Município de Campo Grande para garantir o abastecimento adequado desses insumos. “Paralelamente, o MPMS acompanha a situação concreta da paciente que motivou a apuração, orientando seus familiares quanto às medidas cabíveis para a garantia imediata do atendimento necessário”, concluiu.

A reportagem procurou a Sesau para comentar a falta de insumos. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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