O mercado de máquinas agrícolas em Mato Grosso do Sul enfrenta um período de cautela, com retração nas vendas e crédito mais restrito. Os produtores rurais estão priorizando a preservação de caixa diante das incertezas do setor agropecuário. Representantes de concessionárias que atuam no Estado afirmam que o setor continua apostando em tecnologia, eficiência operacional e alternativas de financiamento.
Segundo o diretor de Operações da Ciarama Máquinas, Marco Aurélio Marrafon, o cenário nacional de retração se confirma em Mato Grosso do Sul, especialmente no segmento ligado à agricultura de grãos. “O mercado de máquinas agrícolas vive um momento de cautela em Mato Grosso do Sul. A retração nacional também reflete no Estado, embora com nuances regionais. O produtor sul-mato-grossense segue buscando se tecnificar e profissionalizar, mas está mais seletivo”, afirmou. A Ciarama, concessionária da marca John Deere, atua desde 2001 no Estado e possui nove unidades em municípios como Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Nova Andradina e Rio Brilhante.
O diretor de Operações e Vendas da Comak, Álvaro Roberto Silvestre Fialho, avalia que o setor agrícola ainda sofre os reflexos financeiros das últimas quebras de safra, especialmente nas culturas de soja e milho. “Mesmo que a safra deste ano não tenha sido ruim, a ressaca financeira das quebras de safra dos últimos anos ainda é muito grande, e o valor da saca de soja segue muito defasado em relação aos custos do plantio”, explicou. Segundo ele, a pecuária vive um momento mais otimista, impulsionando a procura por equipamentos específicos como tratores de médio porte e máquinas para silagem e fenação. A Comak representa a marca LS Tractor e possui unidades em Campo Grande, São Gabriel do Oeste, Água Clara e Paranaíba.
A retração percebida neste início de ano ocorre principalmente no volume de vendas. O produtor rural continua investindo, mas de forma mais criteriosa. “O produtor está, sim, adiando investimentos. A decisão de compra ficou mais racional: ele alonga a vida útil da frota, avalia melhor o fluxo de caixa, compara custo financeiro e prioriza aquilo que é essencial para a operação”, afirmou Marrafon. As máquinas de grande porte, ligadas à produção de grãos, são as mais impactadas por exigirem maior desembolso e dependerem de crédito.
Álvaro Fialho aponta que os juros elevados e a dificuldade de financiamento seguem entre os principais entraves do setor. Entre os fatores que pressionam o mercado estão juros elevados, crédito rural mais restrito, margens apertadas, volatilidade das commodities, custos de produção, diesel, fertilizantes e câmbio. “Em Mato Grosso do Sul houve queda relevante no crédito rural, com o produtor priorizando custeio e manutenção da lavoura e das máquinas, em vez de investimento”, pontuou Marrafon.
A tecnologia embarcada passou a ter papel central nas negociações. “Redução de consumo, telemetria, automação de operações, agricultura de precisão e menor custo operacional por hectare são argumentos centrais”, afirmou Marrafon. Na avaliação da Comak, a preocupação com o consumo de combustível e com os custos de manutenção é cada vez maior.
As concessionárias estão se adaptando com gestão mais austera dos estoques e foco em pós-venda, peças, serviços, agricultura de precisão, máquinas usadas, consórcio e financiamento estruturado. A Comak passou a atuar como correspondente bancário dos principais bancos para estruturar crédito agrícola. A expectativa do setor é de estabilidade com possibilidade de reação gradual no segundo semestre, se houver melhora no crédito, maior previsibilidade de preços e confiança na próxima safra. “Hoje, o produtor está mais focado em preservar caixa do que em investir agressivamente. Mas ele não deixou de investir; está investindo com muito mais critério”, concluiu Marrafon.
