30/03/2026
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Magalu foca em margens e IA com Fred

O lucro líquido ajustado do Magalu ficou em R$ 124 milhões no trimestre, uma queda de 10,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O valor, no entanto, foi mais que o dobro do consenso do mercado, que era de R$ 55,7 milhões, ajudado por créditos tributários.

O CEO Fred Trajano afirmou que o resultado acima do esperado veio de uma decisão da companhia de focar em segmentos e canais mais rentáveis. A principal consequência dessa estratégia foi sentida no marketplace. As vendas do canal de terceiros (3P) caíram 11,7% no trimestre. Essa redução foi causada principalmente pela venda menor de produtos de baixo valor agregado.

Por outro lado, o same-store sales das lojas físicas da rede cresceu 8,4%. “Crescemos onde a gente acreditava que tinha mais contribuição positiva – e onde tinha mais contribuição positiva no ano passado era em loja física”, disse o executivo.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, com alta de 3,4% em um ano, ficando em linha com as expectativas. O EBITDA ajustado subiu 2,5% no período, para R$ 867 milhões, enquanto o mercado projetava R$ 833 milhões.

Fred Trajano, que completou dez anos como CEO, disse que a empresa está começando um novo ciclo estratégico, agora com foco principal em inteligência artificial (AI). Isso acontece depois de um período de cinco anos dedicado à construção do seu ecossistema de negócios.

O objetivo atual é extrair valor dos ativos criados nos últimos anos, como o MagaluPay, o Magalog, a Magalu Cloud, além das empresas KaBuM!, Netshoes e Época Cosméticos. A meta é ampliar a rentabilidade e a integração entre essas operações.

Para o CEO, a vantagem competitiva do Magalu está na capacidade de integrar lojas físicas, comércio eletrônico e serviços em uma mesma infraestrutura. A ideia é estender essa lógica para outras empresas do grupo, dando mais espaço nas lojas físicas para produtos da KaBuM! e da Época Cosméticos, por exemplo.

A companhia também pretende voltar a abrir lojas, especialmente no formato da Galeria Magalu, que reúne diferentes negócios da empresa em um único espaço. O Magalu encerrou o ano com 1.246 lojas.

Fred apontou que a maior oportunidade está na agentic AI. Segundo ele, a jornada de compra online deve migrar de um modelo baseado em busca para uma experiência conversacional, impulsionada por agentes de IA.

Por isso, a empresa vai ampliar seu AI commerce. Fred disse que 58% das pessoas no Brasil já utilizam IA e, dentre essas, 60% estão abertas a usar assistentes virtuais para fazer compras.

O WhatsApp da Lu, avatar virtual da empresa, tem apresentado uma taxa de conversão três vezes maior que a de outros canais, com um NPS de 83 pontos. De acordo com Fred, 3 milhões de pessoas já usaram a plataforma. “Sem dúvida a evolução mais significativa que eu vi nesses 25 anos de ecommerce é a que estamos vivendo agora”, afirmou.

O novo ciclo do Magalu também envolve reposicionar seu e-commerce, priorizando produtos de marca e um nível de serviço mais alto. Fred descreve esse modelo como um “brand place”, com maior curadoria de vendedores e foco em categorias onde a empresa tem diferenciação.

A estratégia é equilibrar crescimento e rentabilidade, concentrando investimentos em áreas com maior contribuição positiva e explorando oportunidades abertas pela evolução tecnológica e pela estrutura multicanal. Em outras palavras, o Magalu está abrindo mão de participação de mercado para vender produtos com maior margem de lucro.

“A curadoria se dá no sentido de focar menos produtos unbranded, white labels, e mais produtos de marca, onde temos um grande diferencial”, explicou o CEO.

Fred também se mostrou otimista com o crescimento da Luizacred, um dos pilares para diversificar a receita da empresa e reduzir a dependência do varejo. No ano passado, a Luizacred lucrou R$ 525 milhões, com um ROE de 25%. O negócio é uma joint venture 50/50 com o Itaú Unibanco.

A maioria dos clientes mantém os pagamentos em dia. O índice NPL 15, que mede a inadimplência entre 15 e 90 dias, foi de 2,4% da carteira total em dezembro, uma melhora de 0,3 ponto percentual. O NPL 90, que considera atrasos acima de 90 dias, ficou em 7,5% no fim do ano, uma melhora de 0,6 ponto percentual.

“Estamos apostando que esse negócio vai continuar crescendo, principalmente aumentando a penetração no online, porque a penetração é alta em loja e no online é baixa”, disse Fred.

O CEO acredita que o Magalu ainda enfrentará um mercado mais turbulento no primeiro semestre, mas que a Copa do Mundo pode trazer uma surpresa positiva, aumentando a venda de produtos com melhor rentabilidade, como televisores. Fred está mais otimista para o segundo semestre, especialmente com a expectativa de queda na taxa de juros.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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