09/05/2026
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Menina de 8 anos morre após 4 visitas a unidades de saúde em CG

Hannah Julia, de 8 anos, morreu no dia 29 de abril após ser levada quatro vezes a unidades de saúde em Campo Grande. A menina passou uma vez pelo Centro Regional de Saúde (CRS) Cophavilla e três vezes pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon.

Os pais de Hannah acreditam que houve negligência. Eles afirmam que faltaram equipamentos e assistência adequada, principalmente na UPA. A família pretende ajuizar uma ação contra o Município. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) ainda não se manifestou sobre o caso.

O pai da criança, Jeremias Rodrigues, de 53 anos, é supervisor de obras e pastor. Ele disse que precisou desfazer a festa de aniversário da filha, que aconteceria no dia 12. Jeremias se emocionou ao lembrar da rotina com a menina. “Não consigo mais acordar e fazer minhas leituras porque tenho a sensação de que ela vai chegar e falar: ‘você está aí, seu cabeçudo'”, contou.

A mãe, Sara Romeiro, relatou que passou cerca de 20 minutos com a filha nos braços na UPA Leblon. Ela andava de porta em porta tentando encontrar uma sala para medicar a criança. “Me deram duas ampolas de medicamento na mão e em toda a sala que eu entrava para deixar ela, falavam que não era lá. Não tinha vaga”, disse.

Segundo os pais, a menina começou a ficar rígida, teve dificuldade para respirar e convulsionou. “Foi aí que se apavoraram, pegaram ela do meu colo, desocuparam uma maca para ela deitar e não deixaram mais eu ficar perto”, afirmou Sara. Jeremias disse que não havia cilindros de oxigênio na UPA e que o ambu, usado para ventilação manual, estava com defeito. A criança foi entubada e morreu horas depois.

A menina foi ao CRS no dia 24 de abril com sintomas respiratórios e febre alta. Os primeiros exames indicaram um quadro viral. No dia 27, ela foi levada à UPA após uma piora. A glicemia estava em 151 mg/dL. A médica disse que era normal, mas a mãe estranhou. Nos dois locais, Hannah recebeu dipirona e soro fisiológico. Os pais foram orientados a levar a criança para casa três vezes.

No dia 28, a menina foi à UPA Leblon duas vezes. Ela tinha vômitos constantes, inchaço ao redor dos olhos, dores no corpo e na nuca, além de calafrio. Na última ida, não conseguia andar e estava pálida. A mãe pediu que a medicação fosse dada antes de novos exames, devido ao estado da menina.

O atestado de óbito indica parada cardiorrespiratória com choque por motivo a esclarecer. A família aguarda o laudo do Instituto Médico e Odontológico Legal (Imol). “Queremos Justiça para que outras pessoas não passem por isso”, finalizou o pai.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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