22/07/2026
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MP apura erosão e plano de R$ 1,6 milhão em área rural

MP apura erosão e plano de R$ 1,6 milhão em área rural

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito para investigar a existência de cinco pontos de erosão em uma propriedade rural localizada em Santa Rita do Pardo, município a 245 quilômetros de Campo Grande. A investigação, que teve início em junho e se tornou pública nesta terça-feira (21), foi motivada por uma fiscalização ambiental realizada no local.

De acordo com os autos do processo, a área foi vistoriada em janeiro de 2024, após imagens de satélite indicarem possíveis processos erosivos. Durante a inspeção, a equipe encontrou desagregação de partículas do solo e transporte de sedimentos em cinco trechos da propriedade. A fiscalização concluiu que o avanço das erosões ocorreu devido à falta de medidas de conservação.

A propriedade tem aproximadamente 1.976 hectares, dos quais 1.537 hectares são usados como pastagens. O plano de recuperação registra 318 hectares de reserva, 77 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) e pouco mais de cinco hectares incluídos diretamente no projeto de recuperação. O relatório também apontou risco de prejuízo à qualidade do solo e de cursos d’água próximos.

A responsável pelo imóvel recebeu uma multa de R$ 19.244 e foi obrigada a apresentar um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad). A autuação ainda está sob análise administrativa. A defesa contesta a multa, alegando que as erosões são antigas, estavam estabilizadas e foram causadas por fatores naturais. O documento também afirma que os pontos afetados não eram usados para exploração econômica e questiona a legislação aplicada na autuação.

O plano de recuperação, entregue ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), tem um custo estimado de R$ 1.658.520,00 e prevê medidas até fevereiro de 2032. O cronograma inclui cercamento, curvas de nível, reservatórios para captar água da chuva, encanamento, bebedouros e acompanhamento técnico das áreas. As curvas de nível representam a maior parte do orçamento, com R$ 684 mil destinados a 1.520 hectares. O cercamento de 50 quilômetros de áreas protegidas tem custo de R$ 600 mil. O projeto também prevê R$ 121,5 mil para 16 quilômetros de encanamento, R$ 104 mil para 20 bebedouros e R$ 100 mil para um reservatório.

A proposta combina intervenções com máquinas e recuperação natural da vegetação. As cercas devem impedir o acesso do gado aos pontos afetados e às nascentes, enquanto as estruturas de contenção de água devem reduzir o escoamento e ajudar na estabilização do solo. A investigação do MP solicitou documentos ambientais, dados sobre a regularização do imóvel e informações sobre outras atividades sujeitas a licença. Também há a possibilidade de um acordo para a recuperação da área. Ao final da análise, o caso pode resultar em novas exigências, ser encaminhado à Justiça ou ser encerrado.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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