A MSGás começará a fornecer gás natural para Dourados a partir de julho. A cidade é vista como o próximo polo de expansão da companhia no interior de Mato Grosso do Sul. A Seara será a cliente âncora do projeto.
A empresa prevê a construção de um ramal de aproximadamente 230 quilômetros para conectar o município ao sistema de distribuição. Também está prevista a implantação de uma rede urbana de 40 a 50 quilômetros. A expectativa é atender até 4 mil consumidores entre indústrias, estabelecimentos comerciais e residências.
O fornecimento inicial será de cerca de 2 mil metros cúbicos por dia de GNC (Gás Natural Comprimido). O potencial é alcançar 10 mil metros cúbicos diários em uma etapa posterior. Segundo a diretora-presidente da MSGás, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, o atendimento será feito inicialmente por caminhões carregados em Campo Grande. Em uma segunda fase, prevista para 2027, um gasoduto será implantado para atender o município.
A executiva informou que a expansão para Dourados representará um aumento de cerca de 42,5% na malha da companhia. A rede passará dos atuais 540 quilômetros para aproximadamente 770 quilômetros.
A chegada a Dourados faz parte de uma estratégia de expansão da rede de distribuição a partir de grandes consumidores. O modelo já foi usado em Três Lagoas e está sendo replicado em Inocência, onde a empresa constrói um gasoduto para atender a futura fábrica de celulose da Arauco.
Em Inocência, a MSGás executa uma das maiores obras de sua história. Dos R$ 130 milhões previstos em investimentos para este ano, R$ 100 milhões serão destinados ao projeto. Para 2027, outros R$ 60 milhões estão programados para ampliar o atendimento à operação da multinacional chilena.
O empreendimento inclui a construção de um gasoduto de 125 quilômetros ligando o GasBol (Gasoduto Bolívia-Brasil), na região de Três Lagoas, à fábrica da Arauco. A entrada em operação da unidade está prevista para agosto de 2027. A estrutura terá capacidade para fornecer até 130 mil metros cúbicos de gás natural por dia. Nos meses seguintes, o volume poderá chegar a 280 mil metros cúbicos diários. Com a conclusão das obras, a partir de julho de 2028, a operação passará para um regime estável de aproximadamente 50 mil metros cúbicos por dia.
A Arauco constrói em Inocência a maior fábrica de celulose em linha única do mundo. O investimento é estimado em US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões. A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Cristiane afirmou que o objetivo da companhia não é atender apenas os grandes empreendimentos. “Essa é a nossa âncora. Então, a gente chega lá na Arauco como âncora e depois começa as nossas expansões para poder fazer a saturação das indústrias, do comércio, das residências e de toda a região”, disse.
A mesma estratégia deverá ser adotada em Bataguassu com a implantação da fábrica de celulose da Bracell. A presidente afirmou que a presença de um grande consumidor garante a viabilidade econômica da infraestrutura e permite a expansão para outros segmentos.
A companhia já mapeia potenciais clientes nos municípios onde pretende atuar. “Assim que a gente vai para uma região, já começa a fazer o mapeamento”, explicou.
Enquanto amplia sua presença no interior, a MSGás se aproxima da saturação do mercado em Campo Grande. A companhia tem cerca de 27,5 mil clientes na Capital e projeta alcançar 31 mil até o final deste ano. “Hoje a gente está entrando em todos os novos empreendimentos, casas e apartamentos, mas os antigos ainda aos pouquinhos. Vai chegar um momento em que já não conseguiremos mais expandir o gás natural nas residências, no comércio, na cogeração e nas indústrias. Aí partimos para outros investimentos”, afirmou.
Entre esses novos investimentos está Corumbá. A companhia realiza estudos para aproveitar uma infraestrutura de aproximadamente 30 quilômetros implantada no passado e que ficou sem uso após a não concretização de um projeto termelétrico na região. A proposta é direcionar a expansão para o atendimento das mineradoras e para a descarbonização da frota pesada.
No Vale da Celulose, esse movimento já começou. A Eldorado Brasil, em Três Lagoas, adquiriu 25 caminhões movidos a gás natural. A Suzano desenvolve um projeto para descarbonizar sua frota florestal e logística até 2030. “Estamos falando de Eldorado, Arauco, que já virá descarbonizada, e Bracell, que também virá descarbonizada. O que acreditamos é que haverá um cronograma gradual de substituição dos caminhões. Esperamos que já no segundo semestre tenhamos alguns caminhões sendo abastecidos com gás natural”, afirmou Cristiane.
