15/06/2026
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Neta descobre acervo de dança da avó no MIS e digitaliza história

A neta da professora Sarah Abussafi Figueiró descobriu, por acaso, um acervo histórico sobre a dança em Mato Grosso do Sul que havia sido doado pela avó ao Museu da Imagem e do Som (MIS). A bailarina Maria Fernanda encontrou a informação ao pesquisar materiais para criar o espetáculo “Chafica”, em homenagem à avó. Durante a busca, ela se deparou com uma manchete de jornal de 2002 que anunciava a doação.

Maria Fernanda foi até o museu para consultar o material. O que começou como uma pesquisa se transformou em um projeto de preservação da memória da dança sul-mato-grossense. A iniciativa foi aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e resultou na digitalização de documentos, folders, registros administrativos e cerca de 33 horas de vídeos em fitas VHS.

O processo teve um momento de emoção para a neta. Maria Fernanda assinou o termo de empréstimo das fitas no dia 7 de agosto de 2025. O documento de doação assinado por Sarah estava datado de 6 de agosto de 2002. Vinte e três anos e um dia separaram os dois momentos. “Foi emocionante perceber que eu estava voltando à mesma instituição para dar continuidade ao gesto iniciado por ela”, disse Maria Fernanda.

Sarah Abussafi Figueiró nasceu em Campo Grande e era filha de imigrantes libaneses. Ela foi professora de artes e a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD). Sarah também organizou os 13 primeiros Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, entre 1985 e 1998, e participou da fundação da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande.

Entre os materiais preservados estão registros dos festivais, que receberam grupos de várias regiões do país. Passaram pelos palcos nomes como Cisne Negro, Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança e Ballet Paula Castro. Um dos documentos encontrados guarda uma mensagem do coreógrafo Carlinhos de Jesus, escrita durante a 13ª edição do festival, em 1998.

Todo o material digitalizado está disponível em uma plataforma online. A ideia é que o espaço continue recebendo novos registros. Para Maria Fernanda, preservar o acervo é uma forma de valorizar o passado. “Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós”, afirmou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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