21/07/2026
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Pacote antiambiental ameaça áreas protegidas de MS

Pacote antiambiental ameaça áreas protegidas de MS

Mato Grosso do Sul possui 131 unidades de conservação que protegem cerca de 5,58 milhões de hectares, aproximadamente 15% do território estadual. Essas áreas, distribuídas entre Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, podem sentir os reflexos de um conjunto de projetos de lei aprovados pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado.

Conhecido por ambientalistas como “pacote antiambiental”, o conjunto reúne ao menos quatro projetos. O PL 364/2019 altera o Código Florestal para permitir, em determinadas condições, a supressão de vegetação nativa não florestal para atividades agropecuárias. O PL 2564/2025 restringe o uso do embargo remoto pelo Ibama. O PL 5900/2025 amplia a participação do Ministério da Agricultura nas decisões sobre a classificação de espécies utilizadas em atividades produtivas como invasoras ou ameaçadas. O PL 2898/2025 prevê tratamento diferenciado para pequenos produtores rurais em situações relacionadas à aplicação de sanções e embargos ambientais.

Segundo o Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, atualizado pelo Imasul em novembro de 2025, o Estado possui 62 unidades municipais, 47 estaduais e 22 federais. São 23 parques, além de APAs, Monumentos Naturais, Estação Ecológica, Reserva Biológica, Refúgios de Vida Silvestre e Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Entre os destaques estão o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, com 76.851,8 hectares, e o Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

A professora Natália Pompeu, doutora em Ciências Ambientais e professora de Direito Agrário da UFMS, afirma que os projetos possuem alcances diferentes. Segundo ela, do ponto de vista jurídico, não é possível afirmar que as propostas afetarão diretamente as unidades de conservação. Ela observa que o PL 364/2019, na redação atual, não apresenta impactos diretos evidentes, mas mudanças nas regras de proteção da vegetação podem servir de referência para futuras discussões.

Já o advogado ambiental Ivens Drumond avalia que os projetos podem enfraquecer a proteção das áreas de forma indireta. Para ele, o PL 364/2019 é o mais preocupante para Mato Grosso do Sul, pois pode facilitar a supressão de vegetação nativa em áreas vizinhas às unidades de conservação, isolando os parques e comprometendo a conectividade ecológica. Ele também vê riscos no PL 2564/2025, por reduzir a agilidade da fiscalização baseada em imagens de satélite, ferramenta usada para acompanhar áreas remotas do Pantanal.

O ICMBio afirmou que todas as unidades de conservação do Estado são estratégicas e que o Pantanal ainda necessita da criação de novas unidades. O órgão ressalta que a política de proteção ambiental não se resume às unidades de conservação, incluindo também os planos nacionais de conservação de espécies e a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção.

Para a SOS Pantanal, a preocupação vai além dos limites das áreas protegidas. O diretor de Comunicação da entidade, Gustavo Figueiroa, afirma que algumas propostas não atingem diretamente o Pantanal por causa da legislação estadual, mas podem aumentar a pressão sobre outros biomas, especialmente o Cerrado, onde nascem muitos dos rios que abastecem a planície pantaneira. “Está tudo conectado”, resume Figueiroa. Ele defende que mudanças na legislação ambiental precisam ser discutidas de forma técnica e equilibrada.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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