A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação Riqueza Sombria para desarticular a estrutura financeira do Comando Vermelho. As investigações apontam que o grupo movimentou ao menos R$ 116,6 milhões entre 2017 e 2021 com lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
A ação é coordenada pela 96ª DP, de Miguel Pereira (RJ), e cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado do Rio de Janeiro. Os mandados são cumpridos em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Neste último, as equipes atuam na linha de fronteira com o Paraguai.
Segundo as investigações, a organização utilizava a tática de smurfing para lavar o dinheiro. O valor arrecadado nas “bocas de fumo” em favelas do Rio era fracionado em pequenos depósitos em espécie para não acionar os alertas dos órgãos de controle financeiro. Esses depósitos eram feitos em contas de “laranjas” e empresas de fachada em regiões de fronteira e no interior do país. Depois, os recursos eram redistribuídos para proteger as lideranças da facção.
Um dos investigados recebeu 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, ao longo de quatro anos. A investigação aponta que os principais beneficiários do esquema estão em Sete Quedas (MS), a 468 quilômetros de Campo Grande.
Para cortar o fluxo de capitais, agentes da GARRAS (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) realizaram buscas na cidade. Em um imóvel no Centro, os policiais encontraram a casa vazia e arrombaram o portão para cumprir a ordem judicial. Foram apreendidos um HD externo e um notebook.
Na Rua Manoel Castro Azoia, também no Centro, equipes do Garras cercaram a casa do empresário Gilmar Santos da Silva. Como ele não abriu a porta, os policiais arrombaram a entrada. No interior, ele foi contido na presença da esposa e dos dois filhos menores. Gilmar admitiu que mantinha um revólver escondido no guarda-roupa. A arma estava carregada, sem registro e ele não tinha autorização para porte ou posse. Ele foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
O balanço parcial da operação aponta prisões e apreensão de armas, celulares e material tecnológico, que serão submetidos a perícia.
