15/06/2026
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Riedel: agro sustenta crescimento de MS, mas produtor enfrenta crise

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), afirmou neste sábado (9), durante a 60ª edição da Expoagro, em Dourados, que o Estado vive um ciclo de crescimento puxado pelo agronegócio. Ele reconheceu que o produtor rural enfrenta um momento difícil por causa do aumento dos custos, problemas climáticos recentes e gargalos logísticos.

Antes de participar de agendas no auditório da feira, Riedel esteve reunido no Sindicato Rural de Dourados com representantes do comércio, do setor de avicultura e também com o promotor de Justiça Ricardo Rotunno para discutir ações do MP Social. O governador estava acompanhado da senadora Tereza Cristina (PP) e do senador Nelsinho Trad (PSD).

Realizada no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, a Expoagro reúne produtores, empresas e instituições ligadas ao agronegócio até o dia 17 de maio. A expectativa da organização é receber mais de 150 mil visitantes e movimentar mais de R$ 500 milhões em negócios durante os dez dias de programação.

Ao comentar o cenário econômico do Estado, Riedel disse que o governo tenta ampliar a competitividade do agro em várias frentes. “O Mato Grosso do Sul tem uma base produtiva diversificada e isso é um dos responsáveis pela trajetória de crescimento do Estado. Nos últimos cinco ou seis anos, a industrialização dessa base produtiva mudou a inclinação da curva de crescimento”, afirmou.

Segundo o governador, o crescimento anual do PIB sul-mato-grossense tem variado entre 4% e 7%, muitas vezes acima da média nacional. “Isso nasce no produtor rural, no agro e em toda essa cadeia produtiva”, declarou.

Durante a feira, o governo também discutiu temas considerados estratégicos para o setor produtivo, como energia, infraestrutura, logística, tributação e meio ambiente. “A Expoagro reúne todos esses atores em um ambiente de promoção e discussão”, disse Riedel. “O governo tem sido extremamente sensível para colaborar com um ambiente cada vez maior de confiança para novos investimentos.”

Questionado sobre o impacto do diesel caro e das condições das rodovias no escoamento da safra, o governador afirmou que o Estado reduziu parte do imposto sobre o combustível, apesar do impacto na arrecadação. “Isso custa caro ao Estado, mas entendemos que o momento é de emergência”, afirmou, ao citar também os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os custos do setor.

Riedel reconheceu que os últimos anos foram difíceis para parte dos produtores rurais. “O momento não é bom. Mato Grosso do Sul vem de três ou quatro safras com problemas pontuais que afetaram a competitividade do produtor. Mas isso é cíclico. Precisamos olhar a atividade no longo prazo.”

Na área de infraestrutura, o governador afirmou que o Estado vive um dos maiores ciclos de investimento em logística da história recente. Segundo ele, há mais de mil quilômetros de pavimentação em andamento e outros mil quilômetros em reestruturação com apoio financeiro do BNDES e do Banco Mundial.

O governador também citou investimentos em hidrovias e ferrovias. Entre os projetos mencionados estão a Hidrovia do Paraguai, a Malha Oeste e a Short Line ligada ao projeto da Arauco, que deve conectar a produção do Vale da Celulose à malha ferroviária paulista. “Não é rodovia ou ferrovia. São os dois. Se mantivermos esse ritmo de crescimento, em dez anos o sistema atual satura”, afirmou ao defender a ampliação dos modais logísticos.

Ao final, Riedel exaltou a capacidade de resistência do produtor rural diante das crises. “Mesmo nos momentos difíceis, o produtor tem uma resiliência incrível. A agricultura brasileira cresceu nessa base da resiliência e do profissionalismo do produtor.”

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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