O uso tradicional do fogo por povos indígenas e comunidades pantaneiras, antes tratado como ameaça ambiental, começa a ganhar espaço nas estratégias de prevenção a grandes incêndios no Pantanal.
Entre os dias 14 e 19 de junho, as cidades de Corumbá e Ladário recebem a segunda edição dos “Dias de Campo: Resgate do uso tradicional do fogo no Pantanal”. O encontro reúne brigadistas indígenas, pesquisadores, órgãos ambientais e organizações da sociedade civil para discutir o manejo integrado do fogo no bioma.
A iniciativa adapta ao Pantanal o modelo internacional TREX (Training Exchange), criado nos Estados Unidos e aperfeiçoado em Portugal, voltado ao treinamento prático para prevenção de incêndios em áreas naturais.
Na primeira edição do encontro, os brigadistas indígenas Kadiwéu Rubens Ferraz e Mesaque Rocha conduziram a queima controlada de uma área de um hectare em uma fazenda na região da Nhecolândia, no Pantanal.
A programação inclui palestras, rodas de conversa e uma atividade prática de queima prescrita conduzida por brigadistas indígenas Kadiwéu, com acompanhamento técnico do Prevfogo, Ibama e dos Corpos de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Participam do encontro brigadistas indígenas das etnias Kadiwéu, Terena e Guató, além de brigadistas ribeirinhos, pesquisadores do Brasil e de Portugal e representantes de instituições ligadas ao manejo integrado do fogo.
O evento propõe ampliar o debate sobre o uso controlado do fogo como ferramenta de prevenção aos incêndios de grandes proporções, cenário que se intensificou no Pantanal nos últimos anos.
Idealizador do encontro e diretor executivo do Instituto Terra Brasilis, o biólogo Reinaldo Lourival afirma que o avanço dos incêndios exige ações preventivas permanentes no Pantanal. “Os incêndios cresceram em frequência e intensidade nos últimos anos. Ampliar ações de manejo integrado do fogo passou a ser uma necessidade concreta para reduzir riscos e prevenir grandes incêndios”, afirma.
A coordenadora do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, Angélica Guerra, destaca que a prevenção depende da participação das populações que vivem no território pantaneiro. “Mais de 95% do bioma está em áreas privadas. Reduzir o risco de grandes incêndios passa pela construção conjunta entre produtores rurais, comunidades locais, povos indígenas, pesquisadores e poder público”, diz.
O encontro integra as ações do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, desenvolvido pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O projeto atua em ações de prevenção de incêndios, restauração ecológica, segurança hídrica e proteção da fauna na Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho.
As atividades serão realizadas entre os dias 14 e 17 de junho, na sede do Sebrae, em Corumbá. Nos dias 18 e 19, a programação segue para a APA (Área de Proteção Ambiental) Baía Negra, em Ladário, onde será feita uma queima prescrita com monitoramento técnico.
