19/05/2026
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UFMS lança escola de paraciclismo com 15 bikes adaptadas

O paraesporte de Mato Grosso do Sul passou a contar oficialmente com uma nova modalidade nesta segunda-feira (18), com o lançamento da Escola de Paraciclismo de Mato Grosso do Sul, instalada na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O projeto reúne a universidade, a Fundesporte e o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e prevê a entrega de 15 bicicletas adaptadas nos próximos três meses, além do início das atividades de formação e treinamento de atletas no campus universitário.

A cerimônia ocorreu no auditório da Reitoria da UFMS e contou com a presença de autoridades, representantes do movimento paralímpico e da primeira-dama Mônica Riedel, que será madrinha do projeto ao lado da ciclista Meire Alcântara. Durante o evento, foi formalizada a assinatura do termo de cooperação que viabiliza o início das atividades.

O projeto nasce com foco na inclusão social, formação esportiva e desenvolvimento de novos atletas do paraciclismo, modalidade considerada estratégica dentro do movimento paralímpico brasileiro. Nos próximos três meses, a estrutura inicial será ampliada com a entrega de pelo menos 15 bicicletas adaptadas, divididas entre diferentes tipos de deficiência e modalidades do esporte.

Entre os equipamentos previstos estão triciclos, handbikes (bicicletas impulsionadas com as mãos) e tandems, modelo de dois lugares em que o guia ocupa a posição da frente e o paratleta pedala atrás. Além das bicicletas, os participantes também receberão equipamentos de segurança, como capacetes e luvas.

A proposta não prevê, neste momento, a criação de um espaço físico exclusivo. As atividades serão desenvolvidas dentro da estrutura já existente da UFMS, com apoio dos cursos da área da saúde e do esporte, envolvendo professores, acadêmicos de Educação Física e equipes de nutrição e fisioterapia.

Segundo a reitora da UFMS, Camila Ítavo, a universidade já mantinha atividades voltadas ao paradesporto antes da oficialização do núcleo, o que ajudou a credenciar a instituição para receber o projeto. “Na verdade, a gente começa com o paradesporto sem ter esse núcleo. Então, a gente tem professores especialistas na área. Todo o projeto e as ações do paradesporto feitos pelos nossos professores da Educação Física nos gabaritaram para ser esse apoio junto com a Fundesporte e com a confederação”, afirmou.

Ela destacou que a universidade já desenvolvia treinamentos, pesquisas e atividades de extensão voltados ao esporte adaptado, utilizando o próprio campus como espaço de prática. “É como se fosse uma escola de futuros atletas de rendimento. A ideia é que eles conheçam a modalidade, se preparem e, a partir disso, a gente consiga identificar lideranças e atletas capazes de representar Mato Grosso do Sul e também o Brasil”, explicou.

A seleção dos participantes deverá ocorrer em articulação com entidades ligadas ao ciclismo, ao paradesporto e à educação especial. A proposta é identificar potenciais atletas e apresentar a modalidade a pessoas que ainda não tiveram contato com o esporte.

Representando a Fundesporte, Paulo Ricardo classificou a implantação da escola como um marco para a política de inclusão do Estado. “É um momento muito rico e importante porque alcançamos uma das metas do governo do Estado, que é a inclusão. Essa primeira escola paralímpica dentro do Estado é um marco para incluir crianças, adolescentes e adultos numa prática que não é comum, que é o ciclismo”, afirmou.

Ele destacou ainda que o projeto tem objetivos de longo prazo e poderá contribuir futuramente para a formação de atletas de alto rendimento. Atualmente, o Estado já possui atletas contemplados por bolsas voltadas ao paradesporto. Segundo Paulo Ricardo, mais de 50 esportistas participam hoje dos programas de incentivo, que também atendem treinadores.

O potencial da nova escola também foi ressaltado pelo coordenador de paraciclismo e representante do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Edilson Rocha, que apontou a importância estratégica da modalidade. “É uma alegria muito grande abrir mais um núcleo da escola de paraciclismo. O paraciclismo é a terceira modalidade que mais distribui medalhas nos Jogos Paralímpicos, com 153 medalhas no total e 51 ouros. Embora o Brasil seja uma potência mundial, ainda ganhamos poucas medalhas nos Jogos e precisamos crescer tecnicamente”, afirmou.

Entre os jovens que acompanharam o lançamento estava o paratleta de judô Gabriel Ferreira, de 18 anos, estudante da UFMS e entusiasta do ciclismo. “Desde criança eu gosto muito de andar de bicicleta. É um esporte que está crescendo no país todo e vindo aqui para o nosso Estado, primeiro na região, fico feliz porque mais pessoas vão ter acesso”, afirmou. Gabriel disse ainda que pretende participar das atividades da escola caso tenha oportunidade.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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