06/07/2026
Jornal Dinâmico»Notícias»Acidente aéreo sem caixa-preta exige investigação por vestígios

Acidente aéreo sem caixa-preta exige investigação por vestígios

Acidente aéreo sem caixa-preta exige investigação por vestígios

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Força Aérea Brasileira, foi acionado para investigar a queda de um avião bimotor ocorrida na manhã da última sexta-feira (3), em área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. O acidente resultou na morte do piloto Henrique Martin e da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff.

A aeronave, um modelo Neiva EMB-810D Seneca, não possui caixa-preta. Segundo o Cenipa, essa ausência é comum em aeronaves menores e não configura irregularidade. Sem os gravadores de voo, a investigação depende de outras fontes de informação, como análise dos destroços, registros de manutenção, dados meteorológicos, GPS e depoimentos de testemunhas e controladores de tráfego aéreo.

O trabalho de investigação segue um protocolo técnico dividido em fases, começando ainda no local do acidente. As equipes registram a área com fotos, vídeos, medições e mapeamento da posição dos destroços. Peças como motores, hélices e instrumentos podem ser recolhidas para análise em laboratório.

A partir das evidências, os investigadores reconstroem a dinâmica do acidente considerando três eixos: fator material (possíveis falhas mecânicas), fator humano (experiência e decisões do piloto) e fator operacional e ambiental (clima, visibilidade e procedimentos de voo).

O delegado Sam Suzumura, da Polícia Civil, afirmou que uma das hipóteses iniciais é que o mau tempo possa ter contribuído para o acidente. Ele mencionou a possibilidade de o nevoeiro ter dificultado a orientação do piloto logo após a decolagem, mas ressaltou que a avaliação ainda é preliminar.

As investigações do Cenipa ocorrem em paralelo às apurações policiais. Enquanto a polícia busca responsabilidades, o Cenipa foca na prevenção. O resultado é um Relatório Final de Investigação, que aponta os fatores que contribuíram para o acidente e traz recomendações de segurança, sem identificar as pessoas envolvidas. As investigações não têm prazo fixo e geralmente levam de um a dois anos para serem concluídas. Após o término, os destroços são devolvidos aos proprietários.

Acidentes aéreos em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul já registrou 18 acidentes aéreos neste ano. Em um período de 10 anos, o estado contabilizou 230 ocorrências aéreas, com 24 mortes. Os dados reforçam a importância do trabalho do Cenipa na identificação de fatores que contribuem para esses acidentes, visando a produção de recomendações de segurança para evitar novas tragédias na aviação civil.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →