23/07/2026
Jornal Dinâmico»Notícias»Balsas não temem Ponte Bioceânica e apostam em travessia mais rápida

Balsas não temem Ponte Bioceânica e apostam em travessia mais rápida

Balsas não temem Ponte Bioceânica e apostam em travessia mais rápida

As balsas que fazem a travessia entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, não veem a Ponte Bioceânica como uma ameaça. Mesmo com a nova estrutura sendo construída ao lado, os operadores das duas balsas acreditam que o serviço continuará sendo uma alternativa rápida. A aposta é nas filas e na burocracia que devem marcar o tráfego na ponte.

O coordenador das viagens, Carlos Araújo, de 62 anos, afirmou ao Campo Grande News que o movimento pode diminuir um pouco, mas não muito. “Muitas pessoas não vão querer esperar, vai ter muitos carros para passar, aí muitos vão estar com pressa e vão vir aqui”, disse ele na manhã desta quinta-feira (23).

Segundo o coordenador, nos dias movimentados, cerca de 10 carros usam a balsa para cruzar o rio. Ontem, por exemplo, ele contabilizou 15 viagens. O movimento foi impulsionado pela cerimônia que oficializaria o “beijo” da Ponte Bioceânica, que foi cancelada devido às condições climáticas adversas na região.

Além das filas esperadas com o aumento do trânsito, Carlos acredita que o trajeto pela Rota Bioceânica será mais lento por causa da fiscalização. O projeto do Corredor prevê a implantação de um Centro Aduaneiro Integrado entre Brasil e Paraguai, nos moldes do existente na fronteira entre São Borja, no Rio Grande do Sul, e Santo Tomé, na Argentina.

Para o coordenador, a maior vantagem da balsa será o tempo de travessia, de cerca de 15 minutos. No entanto, a concorrência ainda deve demorar para chegar. A conclusão da ponte está prevista para o segundo semestre deste ano, mas o Corredor funcionará plenamente apenas com a conclusão dos acessos paraguaios e brasileiros, que devem ser entregues em 2027.

Ainda não está claro como será o controle na ponte. Não se sabe se Brasil e Paraguai terão postos separados, se haverá fiscalização conjunta ou se os procedimentos serão concentrados em um único complexo de fronteira. Sem essa organização, a ponte pode resolver o obstáculo físico da travessia, mas criar um novo gargalo nos acessos.

Na balsa, a fiscalização ocorre nos terminais de embarque ou desembarque. Passageiros, veículos e cargas passam por controle migratório e aduaneiro antes de entrar na embarcação ou logo depois de chegar ao outro país. Os controles são diferentes: a migração verifica documentos das pessoas, a aduana controla mercadorias e bagagens, e a fiscalização sanitária e agropecuária verifica alimentos e animais.

Corredor Bioceânico

A construção da Ponte Bioceânica é uma das obras para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de Rota de Integração Latino-Americana (RILA) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio. A rota terá mais de 3,2 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Porto Murtinho será a porta de entrada da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma via de escoamento de produtos e circulação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos. O potencial é de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →