O governo federal tem como meta aprovar no Senado o fim da escala 6×1 até o dia 17 de julho. No dia seguinte, começa o recesso parlamentar, que vai até o início de agosto. A aprovação da redução da jornada máxima de trabalho para 42 horas, e posteriormente para 40 horas, além das duas folgas semanais, é vista como uma vitória para a base governista. Se o calendário for cumprido, a mudança poderia ter efeito prático antes do primeiro turno da eleição, marcado para 4 de outubro.
O cenário político, no entanto, é de dificuldades. O fim da escala 6×1 pode ser aprovado, mas com alterações. Uma das possibilidades é a aprovação com um prazo de implementação mais longo. Há a tentativa de permitir que as empresas adotem as novas regras após três meses da aprovação legal, em vez dos dois meses atualmente previstos.
A fragilidade do governo no Congresso, a desorganização das lideranças políticas, a proximidade das eleições e o perfil do parlamentar médio aumentam os riscos de aprovação de outras propostas consideradas “pautas-bomba”. Essas medidas são vistas como irresponsáveis do ponto de vista fiscal e podem gerar danos para os próximos governos.
Entre os projetos em tramitação estão a PEC das igrejas, que prevê redução de impostos, e um projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, que teve seu custo ampliado no Congresso. Também estão na pauta a PEC dos agentes de saúde, o aumento do piso salarial de profissionais de saúde pública e a ampliação dos repasses obrigatórios do governo federal para os municípios.
Essas propostas são usadas como moeda de troca por parte do Congresso em relação ao fim da escala 6×1 e à redução de jornada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), é uma figura central e de difícil negociação, estando insatisfeito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o Supremo Tribunal Federal.
Embora seja improvável que senadores queiram fazer campanha como opositores da redução da jornada, muitos não enfrentarão as urnas este ano. Dos 54 senadores que poderiam se recandidatar, a estimativa é que apenas 34 efetivamente concorram. Isso reduz a pressão eleitoral sobre parte dos parlamentares.
A pressão empresarial contra a medida é forte. Uma saída possível no Congresso é a negociação de mudanças no cronograma, como o adiamento da jornada de 40 horas ou o início da implementação. O objetivo de parte dos parlamentares é não entregar a vitória política a Lula sem obter concessões em outras áreas.
