15/08/2026
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Família vê prisão de médico por morte de Fabíola como justa

Família vê prisão de médico por morte de Fabíola como justa

Família diz que prisão de médico por morte de Fabíola não foi precipitada

A família de Fabíola Marcotti, de 51 anos, afirmou que a prisão preventiva do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, não foi precipitada. Segundo os familiares, a detenção ocorreu após a “análise dos elementos apresentados no curso da investigação”. O médico foi preso na noite de sexta-feira (14), por determinação da 2ª Vara do Tribunal do Júri, e passou por audiência de custódia na manhã de sábado (15).

Na avaliação da família, Fabíola foi vítima de um “cruel feminicídio”. A convicção se baseia nas “circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada”, diz trecho da nota enviada ao Campo Grande News.

Os familiares ressaltam que respeitam o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito de defesa do médico. Eles citam os elementos periciais já divulgados, entre eles a ausência de sinais característicos de um disparo feito com a arma encostada ou à curta distância. O laudo necroscópico apontou que não foram encontrados vestígios típicos de disparos realizados com a arma encostada ou muito próxima da pele. O exame, no entanto, não determinou quem efetuou o disparo nem concluiu se a morte foi homicídio ou suicídio.

A família afirma ainda que a investigação não ignorou divergências na versão inicial e que os investigadores buscaram confrontar os relatos com depoimentos, perícias e outros elementos. A suspeita de alteração da cena em que Fabíola foi encontrada também é mencionada. Conforme a investigação, armas e munições teriam sido retiradas do local após a morte, circunstância analisada pela Polícia Civil.

Família diz que não busca vingança

Na nota, a família afirma que não busca vingança ou condenação pela opinião pública, mas a apuração completa das circunstâncias da morte. “Fabiola já não pode falar. Agora, cabe às provas falarem por ela”, diz o texto. Fabíola era fisioterapeuta e, segundo os familiares, tinha sonhos e projetos. A família não quer que a história dela seja reduzida a uma estatística ou a uma única versão dos acontecimentos.

Ao final da manifestação, os familiares reforçam que confiam na investigação e pedem que o caso seja esclarecido. “A família não busca vingança. Busca Justiça. Não pede condenação pela opinião pública. Pede verdade”, afirma a nota.

O caso

Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio na chácara onde vivia com o marido, no Jardim Veraneio. A ocorrência foi inicialmente tratada como morte suspeita, mas a Polícia Civil passou a investigar a hipótese de feminicídio após identificar inconsistências na dinâmica da morte. Durante as diligências, a polícia identificou indícios de possível fraude processual. Um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal após a morte da fisioterapeuta e levado para outro imóvel da propriedade.

João Jazbik chegou a ser preso anteriormente por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e passou a responder por esses crimes em liberdade, mediante medidas cautelares. Se a morte de Fabíola for confirmada oficialmente como feminicídio, ela será o 12º caso do tipo registrado em Mato Grosso do Sul neste ano, seguindo a ordem cronológica dos casos. Com isso, o número de feminicídios de mulheres no Estado em 2026 chega a 21.

João Jazbik Neto teve a prisão preventiva decretada sem prazo determinado. Após a audiência de custódia, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem. A defesa pediu a revogação da prisão e solicitou que, caso mantida a custódia, o médico fosse encaminhado para uma unidade compatível com sua idade e condições de saúde. A defesa do cardiologista nega participação na morte da esposa e sustenta que ele colaborou com as investigações. O advogado José Belga Trad afirmou que o inquérito policial ainda não foi concluído e que não há processo judicial contra o médico. Segundo os advogados, também não houve denúncia do Ministério Público até o momento.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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