19/06/2026
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MS incinera 20 mil medicamentos contrabandeados em Dourados

MS incinera 20 mil medicamentos contrabandeados em Dourados

A Vigilância Sanitária Estadual iniciou na manhã desta sexta-feira (19) a incineração de pelo menos uma tonelada de medicamentos irregulares. Os produtos foram apreendidos entre fevereiro e junho deste ano em Campo Grande, após serem enviados pelos Correios.

Considerada inédita pela Vigilância Sanitária Estadual, a incineração ocorre no forno SanCristo, empresa especializada em coleta e tratamento de resíduos da área de saúde. O local fica na BR-463, em Dourados, a 251 km de Campo Grande.

Os materiais foram apreendidos durante a Operação Visa Protege. Pelo menos 20 mil produtos foram destruídos, incluindo canetas emagrecedoras, anabolizantes, hormônios e outros medicamentos contrabandeados, sem registro ou vendidos de forma irregular. Eles foram trazidos para Dourados em um caminhão-baú, escoltado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

O trabalho é acompanhado por representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da Secretaria Estadual de Saúde e da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias). O valor estimado do material apreendido ultrapassa R$ 15 milhões.

Técnicos que supervisionam a incineração informaram que a carga inclui apenas itens apreendidos no Centro de Distribuição e Triagem da Capital, por onde passam todas as mercadorias despachadas pelos Correios em Mato Grosso do Sul. Os produtos são trazidos do Paraguai e vendidos pela internet.

Entre os carregamentos estão também medicamentos abortivos, vendidos livremente no comércio de Pedro Juan Caballero, principal centro de compras de produtos importados na linha internacional. A incineração em Dourados, a menos de 120 km do território paraguaio, é simbólica e busca conscientizar a população sobre os riscos desses medicamentos e desestimular os atravessadores.

“A maior parte desses produtos seria destinada ao Nordeste do país, região onde os contrabandistas conseguem alcançar o maior valor agregado nessas mercadorias, de 3 a 5 vezes acima do praticado aqui na região de fronteira”, disse um técnico sanitário. Ele pediu para não ter o nome divulgado por não ter autorização para dar entrevista.

O gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, falou sobre a venda clandestina desses produtos, principalmente pela internet. “O grande problema sanitário hoje não está mais no comércio físico. O grande problema é o comércio clandestino, o que acontece atrás das telas, nas redes sociais e nos marketplaces”, afirmou.

O representante da Abrafarma, Serafim Branco, disse que um dos principais problemas está nos marketplaces não regulamentados. “Você não sabe de onde esse produto veio, qual foi a acomodação dele e ele acaba chegando ao consumidor. Muitas vezes não produz o efeito esperado e pode até causar problemas à saúde”, afirmou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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