14/06/2026
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Mulher é presa ao levar drogas no sutiã para marido em presídio

Mulher é presa ao levar drogas no sutiã para marido em presídio

Denunciada por tráfico de drogas e associação criminosa, Camila Michelli dos Santos Soares foi presa em flagrante na manhã deste domingo (14), ao tentar entrar na Penitenciária Estadual de Dourados (PED) com entorpecentes escondidos no sutiã. A droga seria entregue ao marido, Breno Alen Zanardo.

A apreensão ocorreu por volta das 9h30, durante o horário de visitação na unidade prisional. De acordo com o boletim de ocorrência registrado por servidores da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Camila passou pela inspeção de rotina no equipamento de bodyscan. O monitor acusou um relevo irregular na região do peito.

Questionada pelas policiais penais de plantão, Camila inicialmente negou que estivesse carregando algo ilícito. Ela foi submetida a um segundo teste no aparelho, que confirmou a suspeita. Diante da evidência, a visitante admitiu que transportava maconha e haxixe para o companheiro.

Durante a revista, a equipe de segurança localizou 20 gramas de maconha; 60 gramas de haxixe; um recipiente com gel lubrificante e papel de seda utilizado para a confecção de cigarros.

Após o flagrante deste domingo na PED, os agentes relataram que Camila apresentou comportamento alterado. Ela passou a ofender e a acusar as policiais penais de ameaça durante o procedimento de revista. O caso foi encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Dourados (MS). Camila agora deve responder por tráfico de drogas qualificado – pelo fato de a infração ocorrer nas dependências de um estabelecimento prisional – além de desacato.

Associação criminosa

Camila foi denunciada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em novembro de 2022. A investigação, que envolveu interceptações telefônicas e mandados de busca e apreensão, apontou que ela e o marido eram integrantes de uma rede de distribuição de entorpecentes que operava na região de Vicentina e Fátima do Sul.

Segundo o processo, mesmo após a prisão preventiva de Breno em 2021, Camila assumiu o controle da contabilidade do grupo e utilizava uma loja de roupas de fachada para lavar o dinheiro do tráfico. Por esse motivo, ela respondia ao processo sob o regime de prisão domiciliar.

O documento, assinado pelo promotor de Justiça Rodrigo Cintra Franco, expõe como lideranças presas utilizavam uma rede de colaboradores em liberdade, esposas e até comércios de fachada para gerenciar a contabilidade, a logística de transporte e a distribuição de grandes volumes de drogas. Breno e Camila aparecem no centro do esquema. O homem exercia papel de liderança mesmo estando na PED. Com o uso de celulares introduzidos clandestinamente no estabelecimento prisional, ele orientava de forma diária e minuciosa as ações de Camila em Vicentina.

Camila assumiu o comando operacional das finanças e da cobrança de usuários inadimplentes. Para camuflar o fluxo financeiro decorrente do tráfico de maconha, o casal estruturou um estabelecimento comercial legítimo na própria residência: uma loja de confecções denominada “Grife Masculina”. A acusação apontou que a empresa servia como cobertura para disfarçar o tráfego constante de compradores no local e promover a lavagem de capitais ilícitos. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência, os agentes localizaram quantias em dinheiro fracionado, anotações de contabilidade e aparelhos celulares.

O monitoramento telefônico evidenciou que a célula coordenada por Breno e Camila mantinha aliança com o casal Alisson Schautz Santos (conhecido como “Maninho” ou “Gordinho”) e Jeniffer Nogueira da Silva. Alisson controlava pontos de venda em Vicentina e contava com o suporte direto de sua convivente para a pesagem, guarda e entrega dos materiais na sua ausência. A instrução criminal demonstrou que o grupo também utilizava o apoio de terceiros e de um adolescente para operacionalizar a entrega dos entorpecentes em pontos estratégicos. A estrutura de venda contava com a utilização de máquinas de cartão de crédito e débito para o recebimento dos valores das drogas, conforme apreendido pela equipe policial na residência dos investigados. O caso ainda não foi julgado.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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