11/08/2026
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Nagasaki alerta para nova guerra nuclear 81 anos após ataque

Nagasaki alerta para nova guerra nuclear 81 anos após ataque dos EUA

Nagasaki fez um alerta no domingo (9) sobre o risco crescente de uma guerra nuclear, 81 anos após o bombardeio atômico dos Estados Unidos. A cidade renovou o apelo para que permaneça como o último lugar do mundo a sofrer um ataque desse tipo.

O prefeito Shiro Suzuki afirmou na Declaração de Paz, lida durante a cerimônia anual em memória das vítimas, que “as armas nucleares não são um ‘mal necessário’, mas um ‘mal absoluto’ e jamais poderão coexistir com a humanidade”. O evento ocorre três dias após a lembrança do bombardeio de Hiroshima.

Suzuki, com forte inflexão na voz, declarou no Parque da Paz que o conceito de dissuasão nuclear é “extremamente perigoso e frágil”. A cerimônia aconteceu em meio ao aumento das tensões geopolíticas causado pelos conflitos no Oriente Médio e pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Um minuto de silêncio foi observado às 11h02, horário em que a bomba de plutônio de codinome “Fat Man” foi lançada por um bombardeiro americano e explodiu sobre Nagasaki. A cidade continua sendo o último local do mundo a sofrer um ataque nuclear.

O prefeito destacou que ainda existem mais de 12 mil ogivas nucleares no mundo. Ele manifestou preocupação com a imprevisibilidade dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que envolvem potências nucleares.

A cerimônia reuniu cerca de 3.700 pessoas, incluindo representantes de 98 países e da União Europeia. O embaixador dos Estados Unidos no Japão, George Glass, não participou. O país foi representado pelo vice-chefe da missão diplomática, Aaron Snipe.

A primeira-ministra Sanae Takaichi, após uma breve vaia da multidão, reiterou que o Japão “está defendendo” os três princípios não nucleares — não produzir, possuir ou permitir a introdução de armas nucleares no país. Ela afirmou que o Japão promoverá esforços “realistas e práticos” para alcançar um mundo livre dessas armas.

Suzuki também destacou a ausência de um documento final na conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), realizada em maio. Segundo ele, a modernização dos arsenais nucleares alimenta “um ciclo vicioso de crescente desconfiança mútua, confronto e divisão”. A conferência terminou pela terceira vez consecutiva sem consenso.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a reversão de décadas de redução dos arsenais e para o aumento da retórica nuclear. “Ano após ano, o risco de erros de cálculo, escalada e conflito continua aumentando”, afirmou, classificando a situação como “inaceitável”.

Suzuki instou o governo a preservar os princípios não nucleares e o compromisso constitucional de renunciar à guerra. Ele pediu que o Japão participe da conferência de revisão do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, prevista para novembro. Takaichi disse que os esforços do Japão serão conduzidos no âmbito do TNP.

Nas primeiras horas da manhã, muitas pessoas se reuniram no parque para orações. Toyomi Okada, sobrevivente da bomba atômica de 87 anos, contou que tinha 6 anos quando a explosão ocorreu a cerca de 4,2 quilômetros de sua casa. “Eu conseguia ver este parque da minha casa”, disse, lembrando que a explosão destruiu todos os prédios entre sua casa e o parque.

Acredita-se que o ataque nuclear a Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, tenha matado cerca de 74 mil pessoas até o fim daquele ano. O Japão se rendeu em 15 de agosto, encerrando a Segunda Guerra Mundial. A idade média dos sobreviventes oficialmente reconhecidos dos dois bombardeios já ultrapassa 86 anos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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