28/02/2026
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O Custo do Atraso e a Promessa de Prevenção: Vacina HPV na Índia

Por décadas, a Índia enfrentou uma contradição complexa: a existência de ciência capaz de prevenir o câncer do colo do útero, enquanto continuava a registrar um elevado número de mortes pela doença. No entanto, essa realidade pode estar prestes a mudar graças a um novo momento de prevenção que o país enfrenta.

Segundo um artigo de Prapti Sharma publicado no Hindustan Times, a Índia finalmente sinalizou que a prevenção do câncer cervical não é mais uma pauta menor, mas uma questão de prioridade política. Isso ocorre após anos de deliberação e implementação de programas incrementais destinados a combater a doença na nação.

O governo federal indiano, por exemplo, está prestes a lançar uma campanha nacional de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) voltada para meninas de 14 anos. A expectativa é de que esse seja um passo significativo para controlar uma doença que mata quase 80 mil mulheres por ano no país. Curiosamente, essa é uma doença de crescimento lento, detectável e, em grande parte, evitável.

Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu a eliminação do câncer cervical, definindo a erradicação da doença como a redução dos casos para menos de quatro mulheres a cada 100 mil. A estratégia envolve a vacinação de 90% das meninas contra o HPV, o rastreio de 70% das mulheres com testes de alto desempenho e o tratamento de 90% das mulheres identificadas com a doença.

A proposta atual da Índia é usar a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra os tipos mais comuns do vírus, responsáveis por cerca de 70% dos casos globais de câncer cervical. Vacinar em escala não apenas reduz a incidência da doença, mas também interrompe a infecção em seu estágio inicial, evitando a transformação celular que precede a mortalidade por câncer.

No entanto, a implementação bem-sucedida de uma campanha de vacinação em escala nacional é complexa e requer estratégias eficazes. Países como a Ruanda e a Austrália já conseguiram coberturas elevadas da vacina contra o HPV e praticamente eliminaram a doença por meio de estratégias de entrega coesas e com continuidade política e programática. A Índia já demonstrou suas habilidades logísticas durante a erradicação da pólio e a vacinação contra a COVID-19.

A prevenção do câncer cervical é ampla e inclui desde a vacinação ao diagnóstico e tratamento. A vacinação deve, portanto, ser incorporada a uma arquitetura mais ampla de prevenção, em vez de operar como uma campanha separada. Se a vacinação contra o HPV for institucionalizada dentro do programa de imunização universal da Índia, com financiamento assegurado, fornecimento contínuo e monitoramento transparente, o país poderá reduzir significativamente a mortalidade projetada para a doença.

O artigo conclui ressaltando que o atraso na prevenção custou muitas vidas, criou famílias endividadas e gerou luto desnecessário. Porém, a perspectiva de prevenção agora está mais perto do que nunca. Uma eficaz campanha de vacinação não é apenas um adendo a um cronograma de saúde, mas um lembrete da necessidade de se estar sempre à frente na busca pela saúde das mulheres e pelo fim do câncer cervical.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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