09/05/2026
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Prescrição na Bélgica pode beneficiar ex-Major Carvalho

O advogado de um dos réus no processo Kriva-Rochem, na Bélgica, pediu à Justiça que declare prescrita a ação penal em que se apura o envio de 16 toneladas de cocaína à Europa. O pedido pode abrir brecha para beneficiar outros acusados, entre eles o brasileiro Sérgio Roberto de Carvalho, o ex-major Carvalho, conhecido como “Escobar brasileiro”.

A solicitação foi feita em abril pelo defensor do ex-advogado criminalista belga Pol Vandemeulebroucke, acusado de integrar o grupo criminoso e de repassar informações sigilosas do processo a suspeitos. Segundo a defesa, o chamado “prazo razoável” do processo já foi ultrapassado. O advogado também sustenta que as acusações contra Vandemeulebroucke são vagas e não especificam quais decisões ele teria tomado dentro da suposta organização criminosa.

“Pedimos várias vezes esclarecimentos à Procuradoria, mas meu cliente ainda não sabe exatamente por quais fatos deve responder”, afirmou a defesa durante audiência, em fala reproduzida por jornal de Bruxelas.

O julgamento do megaprocesso, chamado de “Samba” pela imprensa internacional, foi retomado em março, depois de adiamentos e polêmicas. As audiências começaram em 16 de abril. O caso reúne cerca de 30 acusados de integrar organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas pelos portos de Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda. Investiga-se o envio de 16 toneladas de cocaína para a Bélgica, ação atribuída a uma rede internacional comandada por Carvalho, com apoio de Flor Bressers, apontado como braço direito do brasileiro e também réu no processo.

Embora não esteja no alvo direto do processo, relatórios da Europol indicam que Carvalho e Bressers podem ter movimentado pelo menos 45 toneladas em apenas seis meses, com cifras próximas de meio bilhão de euros.

O processo acumula atrasos, suspensões e crises internas desde o ano passado. Em setembro de 2025, a Corte de Apelação de Gand determinou a substituição dos três juízes responsáveis após reconhecer risco de parcialidade. A defesa havia apresentado 21 pedidos de suspeição depois que o presidente do tribunal encerrou uma sessão sem permitir manifestações da acusação e dos advogados. A corte entendeu que houve, ao menos para a opinião pública, “impressão objetivamente justificada de parcialidade”. Advogados chegaram a abandonar audiências em protesto e dois defensores foram retirados da sala pela polícia após confronto verbal com o juiz.

O ex-major Carvalho, da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, é apontado por investigadores europeus como líder de uma das maiores estruturas de tráfico internacional de cocaína da última década. Ele foi expulso da corporação em 2018. Já havia sido condenado no Estado a 15 anos de prisão por tráfico em 1998 e depois por usar “laranjas” em movimentações milionárias.

Preso em 2022 na Hungria após anos foragido, Carvalho nega participação no esquema. Em junho de 2023, foi extraditado para a Bélgica sob forte esquema de segurança. Além do processo europeu, ele enfrenta pedidos de extradição do Brasil, dos Estados Unidos e da Espanha. Carvalho ficou conhecido como “Escobar brasileiro”, alcunha que o desagrada. Ele move ação na 11ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul para que a imprensa não use o apelido, considerado ofensivo e desproporcional. A ação ainda não foi julgada e tem audiência de conciliação prevista para este mês.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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