16/06/2026
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Moradores apoiam 1.264 casas, mas cobram escola e UPAs

Moradores apoiam 1.264 casas, mas cobram escola e UPAs

Moradores da região das Moreninhas, em Campo Grande, apoiaram a construção do Residencial Água Branca, que terá 1.264 casas populares, durante uma audiência pública na noite de segunda-feira (15). O evento ocorreu na Escola Municipal José Mauro Messias da Silva. O empreendimento faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida e será erguido pela Pacaembu Construtora em uma área de 457 mil metros quadrados, próxima ao Parque Jacques da Luz. A conclusão das obras está prevista para 2029.

Apesar do apoio, lideranças comunitárias manifestaram preocupação com a capacidade da infraestrutura pública para atender os futuros moradores. O projeto inclui casas térreas de 43,85 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, em lotes individuais de 200 metros quadrados. Também estão previstas unidades adaptadas para pessoas com deficiência.

Marta Lúcia da Silva Martinez, da M2 Urbanismo, responsável pela apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), afirmou que a região tem estrutura urbana suficiente para receber o conjunto habitacional. Segundo ela, o bairro Moreninha, consolidado ao longo de 40 anos, conta com comércio, serviços, bancos, universidade e um centro comercial. O estudo indica que o residencial deve receber mais de 3,2 mil moradores. Durante as obras, a expectativa é empregar inicialmente cerca de 80 trabalhadores, podendo chegar a 350 no pico da construção.

Entre as medidas mitigadoras apresentadas estão a implantação de áreas de lazer e parquinhos, melhorias na sinalização de trânsito, adequações viárias, ampliação de vias e aumento das linhas de ônibus. O levantamento também prevê infraestrutura completa, com redes de água e esgoto, drenagem, iluminação pública, pavimentação asfáltica, arborização e calçadas. Quatro áreas públicas serão reservadas para equipamentos comunitários.

Valmir Lopes, presidente das associações das Moreninhas 1 e 2 e Nova Conquista 1 e 2, avaliou que o empreendimento pode transformar uma área atualmente degradada, usada para descarte de lixo. Ele destacou que a habitação na região é precária e que o projeto pode ajudar muitas pessoas. No entanto, afirmou que os serviços públicos existentes não comportam a demanda projetada. “Não temos vagas nem em creche nem nas escolas. As unidades básicas de saúde aqui também não vão comportar”, disse. Ele sugeriu que a construtora faça uma parceria com a prefeitura para implantar uma unidade básica de saúde e uma escola no local.

Eduardo Menezes, presidente da Associação das Moreninhas 2 e 4 e conselheiro regional do Bandeira, também apoiou o projeto, mas alertou para os impactos no trânsito. O estudo calcula que o residencial pode acrescentar mais de 600 carros e 600 motocicletas à circulação do bairro. Ele defendeu a necessidade de uma nova via de acesso para evitar congestionamentos nos horários de pico. Eduardo também apontou a acessibilidade como uma carência da região, especialmente para idosos e pessoas com deficiência.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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