06/08/2026
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Mulheres transformam a construção civil em MS

Mulheres transformam a construção civil em MS

A indústria da construção se tornou um dos principais motores da economia de Mato Grosso do Sul nos últimos 20 anos, puxada por investimentos bilionários e pelo crescimento das cadeias produtivas. O setor também tem aberto espaço para as mulheres, que ocupam cada vez mais posições em um mercado historicamente dominado por homens.

Marluce de Oliveira Velasquez trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma construtora. Ela foi incentivada por uma engenheira a fazer cursos na área da construção civil. Hoje, é uma das 78 mulheres que iniciaram cursos como Pedreira de Alvenaria, Pintora Imobiliária e Eletricista Predial na Faculdade Senai da Construção, em Campo Grande.

“Meu pai dizia para eu estudar e melhorar de vida. Eu não dava importância. Hoje sinto a importância e o peso daquelas palavras. Pretendo me aprofundar e aproveitar todas as oportunidades que surgirem. Estou correndo atrás para melhorar cada vez mais”, conta Marluce, aluna do curso de eletricista residencial.

Projeto Elas Constroem

O projeto Elas Constroem reúne parceiros para oferecer formação gratuita a mulheres que querem entrar na indústria da construção. A iniciativa também funciona como ponte entre as novas profissionais e o mercado de trabalho. Construtoras parceiras, como Plaenge, Vanguard, Joy e MRV, promovem feira de empregos para recrutar alunas assim que elas concluem os cursos.

Em 2025, o projeto formou 21 operadoras de BobCat, 10 assentadoras de revestimento e 9 pintoras de obras. Para este ano, a previsão é aumentar o número de formadas e concluir uma turma de orçamentista de obras.

Para muitas mulheres, o curso representa mais do que uma nova profissão. É a conquista da autonomia e a prova de que nunca é tarde para aprender algo novo. Mesmo aposentada após mais de três décadas no serviço público, Ramona Pinto de Souza decidiu fazer o curso de Pedreira de Alvenaria.

“O que me motivou foi a necessidade de resolver pequenos problemas em casa e não depender de ninguém. Na hora de chamar um profissional, às vezes não é o horário que a gente precisa, ou não fica como a gente quer. Então, resolvi aprender as técnicas e fazer por minha conta”, afirmou.

Talento feminino em alta

Segundo a coordenadora de Educação Profissional do Senai, Dyany Melchior, características como organização, atenção aos detalhes e visão crítica têm sido cada vez mais valorizadas pelas empresas do setor.

“As mulheres olham em detalhes, têm um capricho maior, e isso gera menos perda de materiais. As empresas parceiras do projeto nos pedem para treiná-las o máximo possível, e muitas mulheres já saem empregadas assim que concluem o curso”, explica.

O avanço não acontece apenas nas funções operacionais. Há algumas décadas, encontrar uma mulher em uma turma de Engenharia Civil era raro. Hoje, profissionais ocupam posições estratégicas em algumas das maiores construtoras do país.

A trajetória da engenheira civil Valéria Gabas mostra essa mudança. Depois de entrar em um ambiente majoritariamente masculino, ela construiu uma carreira sólida até alcançar uma posição de liderança na Plaenge. Valéria se tornou exemplo para as novas gerações de profissionais.

“À medida que a gente se fortalece e divulga essa presença feminina, as mulheres se sentem aptas a também avançar nessas carreiras. E aí a importância do projeto Elas Constroem, que impulsiona mais mulheres a entrarem para esse mercado, se desenvolverem e quererem liderar uma área que historicamente foi ocupada por homens”, afirmou a diretora, durante a aula inaugural de mais um módulo do projeto.

Números do setor

No primeiro semestre de 2026, a construção civil respondeu por 6.066 novos empregos formais em Mato Grosso do Sul, o equivalente a quase 64% de todas as vagas geradas pela indústria. Ao final do período, o segmento empregava 44.741 trabalhadores com carteira assinada, representando quase um quarto da mão de obra industrial do Estado.

O desempenho acompanha um cenário de investimentos que projeta mais de R$ 115 bilhões para Mato Grosso do Sul até 2030. Os recursos são destinados a áreas como celulose, bioenergia, mineração e transformação industrial da produção agropecuária. Todos esses empreendimentos dependem da construção civil para se tornar realidade.

Desde 2006, o número de indústrias no Estado quase triplicou, gerando mais de 180 mil empregos e contribuindo para que Mato Grosso do Sul batesse recorde em exportações de produtos industriais.

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforça a atuação da entidade em cada etapa do desenvolvimento industrial do Estado.

“A Fiems tem participado em cada ponto, em cada lugar, em cada empresa que chega, levando ações para toda a sociedade, seja na área de educação, saúde, qualificação profissional e, acima de tudo, desenvolvimento econômico. A indústria vem fazendo a diferença em todas as regiões, e nós temos a satisfação de entregar os resultados que aí estão nos últimos 20 anos. As pessoas já sentem a força da indústria em todo Mato Grosso do Sul”, declarou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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