17/08/2026
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Motorista morto é identificado como causador de acidente com 4 mortos na BR-163

Motorista morto é identificado como causador de acidente com 4 mortos na BR-163

Valderlânio Daniel Santos, de 49 anos, foi identificado como o motorista do Chevrolet Onix que, segundo a Polícia Civil, teria provocado o acidente que deixou quatro mortos na BR-163, em Bandeirantes, na tarde deste domingo (16). Ele também morreu na colisão. Conforme a apuração preliminar, o carro teria invadido a pista contrária e atingido uma carreta, dando início à sequência de batidas que ainda deixou seis feridos e terminou em explosão.

A polícia ainda investiga as circunstâncias que levaram o veículo para a faixa oposta. Conforme o levantamento preliminar, o Onix preto trafegava no sentido de São Gabriel do Oeste quando teria invadido a pista contrária e atingido uma carreta que seguia no sentido oposto. Com o impacto, a carreta perdeu o controle, atravessou a rodovia e colidiu com um caminhão-tanque, provocando uma forte explosão.

Nesta manhã, a reportagem conversou por telefone com Manoel Valdizar Santos Lima Junior, de 44 anos, irmão de Valderlânio. Ele afirmou não acreditar que o irmão tenha provocado o acidente e disse que a família ainda busca informações sobre o que aconteceu.

“Acredito que não foi ele que causou o acidente, de jeito nenhum. Não nos falaram nada, mas não foi o provocador do acidente. Estou vendo direitinho isso”, afirmou.

Valderlânio era natural de Tabuleiro do Norte (CE) e trabalhava na sala técnica da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), empresa de saneamento básico. Segundo o irmão, ele havia saído de sua cidade no sábado e seguia para a empresa onde trabalhava. Manoel não soube informar para qual cidade Valderlânio estava indo.

Ele era o mais velho de dois irmãos e deixa a esposa e dois filhos, uma mulher de 30 anos e um adolescente de 14. A esposa é mãe do filho mais novo. A família recebeu a notícia da morte por meio da empresa em que Valderlânio trabalhava, por volta das 22h de domingo. Manoel viajou até a cidade onde o irmão estava para providenciar a documentação necessária à liberação e ao translado do corpo.

“É um momento muito difícil. A empresa me passou todas as informações. Vim para a cidade resolver a burocracia e a documentação”, disse afirmando que a empresa também ficará responsável pelos custos do translado do corpo.

Além de Valderlânio, outras três pessoas morreram no acidente. Elas estavam em um Toyota Etios que também foi atingido durante a sequência de colisões. Os corpos foram encaminhados ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) de Mato Grosso do Sul.

Em nota, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul informou que os exames necroscópicos das quatro vítimas são realizados na manhã desta segunda-feira. Segundo a instituição, as condições em que os corpos foram encontrados tornam o processo de identificação mais complexo e exigem análise técnica detalhada. Paralelamente aos exames, equipes especializadas avaliam cada caso para definir o método mais adequado de identificação.

A Polícia Científica afirmou ainda que trabalha para concluir os procedimentos no menor prazo possível, sem comprometer a segurança e a confiabilidade dos resultados, e manifestou solidariedade aos familiares das vítimas.

Dinâmica do acidente

De acordo com a Polícia Civil, depois da primeira colisão envolvendo o Onix e a carreta, outros dois veículos que trafegavam no sentido crescente da rodovia, logo atrás do caminhão-tanque, não conseguiram realizar manobras para evitar o acidente e também acabaram envolvidos. A dinâmica preliminar está sendo analisada com base em imagens registradas por uma câmera instalada em um dos caminhões envolvidos e em relatos de testemunhas. Equipes da Perícia Criminal estiveram no local para realizar levantamentos técnicos e coletar elementos que possam ajudar na reconstrução da sequência das colisões.

A ocorrência foi registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, previstos nos artigos 302 e 303 do Código de Trânsito Brasileiro. A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do acidente, incluindo o motivo pelo qual o Onix teria invadido a pista contrária, a sequência das colisões e eventuais responsabilidades. As investigações continuam.

Vítimas sobreviventes

Cinco vítimas sobreviventes foram transferidas para hospitais de Campo Grande após receberem os primeiros atendimentos em unidades de saúde do interior. Entre os feridos estão um casal de idosos que ocupava um Volkswagen Gol branco, duas mulheres socorridas em estado mais delicado e o motorista de uma das carretas envolvidas na colisão.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, o casal que estava no Gol branco foi retirado do veículo antes que o carro pegasse fogo. Os dois foram levados inicialmente para a unidade de saúde de Bandeirantes e, posteriormente, transferidos para um hospital, em Campo Grande. Eles apresentavam escoriações, mas, devido à violência do impacto e à cinemática do acidente, precisaram passar por uma avaliação mais detalhada. A mulher, identificada como Vera Regina, apresentava suspeita de lesão no tórax. O marido, que dirigia o veículo, também foi encaminhado para avaliação especializada.

O caminhoneiro Márcio Dutra, que dirigia a carreta carregada com couro e se envolveu na colisão com o caminhão-tanque, sofreu uma fratura exposta na perna, na região próxima ao joelho. Após ser socorrido, ele foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande.

Maísa Silva Cabral, de aproximadamente 26 anos, recebeu atendimento inicialmente em São Gabriel do Oeste e depois foi encaminhada para a Santa Casa da Capital. Em estado grave, ela teve o couro cabeludo arrancado, sofreu pneumotórax e precisou ser intubada. Outra sobrevivente, identificada como Sônia Inácio do Nascimento, sofreu trauma no abdômen. Ela também foi levada inicialmente ao hospital de São Gabriel do Oeste e, posteriormente, transferida para a Santa Casa de Campo Grande.

A última das seis vítimas sobreviventes, transferida para o hospital de São Gabriel do Oeste, ainda não teve o estado de saúde nem o local de atendimento confirmados. A reportagem busca mais informações sobre a situação.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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